terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Os estilos de Dilma


Muito têm sido falado sobre o estilo adotado por Dilma nesses poucos dias que ela está a frente da Presidência da República. Comparações com seu criador são inevitáveis. Porém, devemos traçar comparações também com, o que parece ser, os vários estilos de Dilma. Na campanha presidencial, essa "duas caras" de Dilma ficaram nítidas, como mostra muito bem essa capa da revista Veja. Vocês ainda devem se lembrar dessa história: quando não era assumidamente candidata à presidenta, Dilma defendeu a descriminalização do aborto, já candidata ela se disse contra. Mudança de opinião? Não, casuísmo.

Águas passadas, Dilma, já como presidenta, em muito se contradiz. Nos discursos, ela adota um ar liberal, provavelmente da Dilma guerrilheira. Mas suas ações, até agora, são o que podemos chamar de conservadoras. Ela já mostrou desinteresse em promover grandes reformas, seja tributária ou política - tudo o que o país está precisando -, já que tem receio do desgaste político que pode sofrer. Deve ter aprendido com seu criador. Unir-se ao Sarney é justificável para se ter governabilidade. Pensando bem, Dilma não está fazendo nada diferente do que os políticos vêm fazendo há séculos.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Das noites no centro



Aquela bela loira sempre andava pelas ruas decaídas do centro da cidade, onde prédios deteriorados fazem parte da paisagem e servem de abrigo para moradores de rua e malandros. Diria até ser um pecado das entidades divinas fazer com que tamanha beleza convivesse com esses tipos sociais.
Numa noite de caça como qualquer outra, Armando, já um pouco alcoolizado, decide levantar-se daquela mesa de bar e caminhar um pouco antes de ir embora. Estava certo que não conseguiria levar nenhuma mulher até a sua cama.
Armando adorava o sabor da conquista. Não gosta de mulheres fáceis, que dizem sim para qualquer um só para parecer livre e moderna. Aquele homem, na casa dos 35 anos, sente-se poderoso, como nenhum outro, quando as envolve em sua teia de charme e sensualidade.
Lá vem Ela, atraindo olhares de todos a sua volta. E não seria diferente com Armando. Seus olhos brilharam quando enxergaram a rara beleza daquela mulher. Logo se levantou e ofereceu um cigarro. Ele não teve receio de abordar-la, mesmo vendo que Ela estava parada na esquina como se estivesse esperando alguém.
                ― Fuma?
― Acha que uma mulher da noite não fuma?
― O que você quis dizer com mulher da noite? ― disse, já disparando seu olhar envolvente que lhe é característico.
― Achei que fosse inteligente!
― E como imaginou que eu seria inteligente?
― Intuição... Faro...
Armando ascende seu cigarro.
― Já percebeu que até agora você só me fez perguntas? Por um acaso é repórter?
― A única coisa, neste momento, que queria reportar aos outros é a sua beleza ― disse, dando um leve sorriso.
― Que cantada horrível! Achei que, com sua inteligência, me faria umas bem melhores.
Armando se aproxima ainda mais.
                ―Tem razão. Você merecia uma melhor. Mas, já percebeu que você tem o poder de deixar os homens burros quando estão perto de seu magnífico corpo?
                ― Tu é um babaca! ― disse, já sem paciência. Mas a verdade é que Ela estava se sentindo atraída por ele.
                ―Imagina eu chupando seu pescoço e dando leves mordidas em sua nuca. Despimo-nos um ao outro e, em seguida, deslizo uma de minhas mãos até sua região genital. Estimulo seu clitóris. Pronto. Você estará desarmada e, então, forço meu pênis em sua vagina ― Armando interrompe sua narrativa erótica ― Está imaginando?
Ambos riem.
                ―Olha, vou te deixar meu cartão. Ligue-me durante a semana. Sexta, sábado e domingo são corridos.
                ―Não estou conseguindo te entender!
                ―Eu sou garota de programa. Mesmo que estivesse afim de você, não poderia deixar de cobrar. Sexo, para mim, é apenas um trabalho ― Ela não gostava de vender seu corpo. Então, por isso, não transava nem por afeto, nem por diversão. Sexo significava, para ela, prostituição e, por causa disso, tinha nojo de fazer nas horas vagas ― Foi um prazer, Amanda.
Ela foi embora.
Armando ficou pensando: “não pago para ter sexo”. Já era tarde demais. Ele estava apaixonado por aquela mulher. Depois de dois dias, ele liga e marca um encontro, ou melhor, um programa. Foi a melhor transa de sua vida.
Ao acordar, Armando a procura, porem Ela já havia ido embora, sem levar o cachê. Então, ele vai lavar o rosto e encontra, feito com batom, a frase no espelho: “Tenha uma boa vida com Aids”.
Desesperado, após dois meses, Armando fez o exame. Deu negativo. Logo conclui que Ela tinha inventado aquilo para que ele nunca mais a procurasse. Foi em vão. Logo que soube do resultado, Armando voltou àquela parte do centro. No entanto, não a encontrou. Amanda nunca mais foi vista naquelas ruas.

* Texto ficcional

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Chocolate pode ser mais excitante que beijo na boca, diz pesquisa


O beijo na boca é tão velho quanto o Homem. Para alguns, é uma forma de unir dois corpos, para outros, é símbolo de status ou coisa parecida. E o que dizer do chocolate? Acho melhor nem falar, que já dar uma vontade...! Exatamente, o chocolate tem essa capacidade de despertar inúmeras sensações no ser humano. Pórem, há quem não goste, assim como existem pessoas que não gostam de sexo.

Acho meio díficil traçar uma comparação entre beijos e chocolate, mas há dinheiro para qualquer tipo de pesquisa nesse mundo, então, uma equipe de cientistas britânicos da Universidade de Sussex, coordenada pelo psicólogo David Lewis, revelou que “o chocolate excita mais que um beijo apaixonado”. 

Os pesquisadores fixaram eletrodos na cabeça de casais e ligaram monitores cardíacos ao tórax. Os participantes deixavam que pedaços de chocolate com 60% de cacau derretessem na boca e, em seguida, deveriam se beijar com paixão. O chocolate dobrou os batimentos cardíacos dos 12 voluntários, todos na faixa dos 20 anos. Enquanto o chocolate derretia, o cérebro era estimulado de forma mais intensa e mais duradoura do que na hora do beijo, e isso aconteceu com mulheres e homens. O que levou os cientistas a concluírem que a excitação provocada pelo chocolate é maior do que a gerada pelo beijo.

Coisa de Sarney



O intelectual José Sarney usou sua coluna dessa sexta-feira (11/02) no jornal Folha de S. Paulo para defender as pensões dadas aos trinetos de Tiradentes. Com tom irônico escreveu: “tenho medo de perguntar a um estudante quem é Tiradentes e ele me responder que é aquele que tem quatro trinetos recebendo pensão do governo”.  Defendeu ainda o projeto, encaminhado pelo ex-presidente Lula, que apoia os jogadores das seleções campeãs do mundo de 1958, 1962 e 1970. O projeto assegura aos jogadores e seus sucessores um prêmio de R$ 100 mil e uma pensão de cerca de R$ 3.500, segundo ele.

Para Sarney, “é justo [o pagamento de pensões] com os que deram nome e glória ao país e ao nosso povo. Espero que o país cultive seus heróis, os que lhe deram glória e os que honraram a pátria. Nossos heróis devem ser lembrados. Seus descendentes devem ser ajudados pela nação. É nossa obrigação com o passado".
 
Então deve ser por isso que o político Sarney não parece se incomodar pelo fato de vários prédios públicos no Maranhão terem o seu nome e de seus familiares. O poder público, que diga se de passagem está há décadas sendo comandado pela oligarquia, estaria dando crédito à família que fez muito pelo Estado.

Então deve ser por isso também que Sarney distribuiu cargos, por meio de atos secretos, no Senado para seus íntimos, inclusive o namorado da neta. Tudo muito compreensível, ora, o Estado tem a obrigação de reparar o Sarney pelos seus vários anos doados à nação. E podemos esperar muito mais. Afinal, a melhor gestão de sua vida mal começou. Tudo, é claro, com muita Ética.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dilma quer aumentar impostos para quem compra no exterior; no Piauí, compras pela internet poderão ficar mais caras


De acordo com uma reportagem publicada anteontem (08/02) do jornal Folha de S. Paulo, a presidenta Dilma estuda aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado sobre o total da fatura de cartão de crédito internacional, hoje de 0,38%. O valor do imposto passaria a ser de 4% - o que tornaria as compras feitas no exterior mais caras. O objetivo da medida é, claro, frear o consumo e, assim, diminuir a concorrência para os produtos brasileiros.

As compras internacionais feitas com cartão de crédito bateram recorde no ano passado. Elas atingiram US$ 10 bilhões, aumento de 54% em relação ao volume registrado em 2009. Apenas no último trimestre de 2010, esses gastos dos brasileiros em dólar ultrapassaram US$ 1 bilhão por mês. Isso estaria fortalecendo a concorrência para produtos brasileiros.

Simulação feita pelo jornal, uma compra no exterior com alíquota de 4%, equivalente a R$ 2.000 teria um custo de IOF de R$ 80. Hoje, esse custo é de apenas R$ 7,6.

Dilma está preocupada em tornar a indústria brasileira mais competitiva. O que é louvável. Pórem, o mais correto a se fazer seria diminuir os impostos elevados para indústria nacional, bem como oferecer uma infra-estrutura mais digna. Assim, nosso segundo setor poderia diminuir os preços e, com isso, estaria sendo mais competitivo dentro e fora do país.

Se minha memória não falha, lembro de Dilma defendendo isso no último debate na Globo, ainda quando era candidata. Mas, como político muda muito de opinião, sobretudo os brasileiros, Dilma prefere aumentar o IOF. É bem mais prático! E a tão falada reforma tributária fica para depois. Dilma já deu sinais que não vai fazer nenhuma reforma. Teria aprendido com seu criador?

No Piauí, a Secretaria Estadual de Fazenda quer aumentar o ICMS nas compras feitas pela internet. A equipe de Wilson acha injusto que o Piauí não recolha o imposto. O Governo do Estado acredita perder R$ 50 milhões por não recolhimento de impostos de produtos comprados no mercado eletrônico. A OAB disse que vai recorrer, já que o consumidor estaria pagando ICMS duas vezes, o que é proibido pela Constituição Federal.

Nos dois casos, o consumidor está tendo seu direito de escolha limitado. Todos temos o direito de escolher um preço mais barato. Como já era de se esperar, Dilma e Wilson devem ter esquecido de suas promessas de campanha. Nada mais natural, com tantas atribuições para fazer, como distribuir cargos a seus alidos, o jeito mais fácil é aumentar os impostos, já pagamos tantos mesmo!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Big Brother ainda é um reality show?


O Big Brother brasileiro é um dos mais bem sucedidos em todo o mundo. O que não acontece em todos os países. O britânico, por exemplo, foi cancelado pela emissora detentora dos direitos por baixa audiência. Por isso, se fala que o formato já está desgastado. No Brasil, entretanto, o big brother ainda desperta muito interesse, e é assunto nas mesas de todas as classe sociais. Sem falar que é um show de faturamento para a Globo.

O sucesso do Big Brother Brasil se deve a capacidade da direção do programa de está sempre inovando. Casa de vidro, quarto branco e, claro, participantes com personalidade diferentes. Semana passada, ficamos sabendo que os eliminados poderão voltar à casa, atráves de uma votação. Ano passado, ex-participantes da atração tiverão uma nova chance. Marcelo Dourado acabou vencendo.

Observando isso tudo e analisando o conceito de reality show da Wikipédia - é um tipo de programa televisivo baseado na vida real. Podemos então falar de reality show sempre que os acontecimentos nele retratados sejam fruto da realidade e os visados da história sejam pessoas reais e não personagens de um enredo ficcional - pergunto se o BBB ainda é um reality show, já que " a realidade" está sofrendo cada vez mais intervenções da direção do programa para atrair audiência.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Para ler: Eu (Biografia de Ricky Martin)


Em 2010, o cantor Ricky Martin revelou sua "verdade" ao mundo. Depois de algumas frases em seu site pessoal (www.rickymartinmusic.com), Martin passou a ser um outro homem, de um outro mundo. Virou um ícone da comunidade gay. Deu inúmeras declarações favoráveis aos direitos homossexuais, e assim se tornou o que podemos chamar de ativista gay. É por isso que sua biografia foi tão esperada pelo público.

Mais do que uma simples biografia, esse livro parece ser uma váçvula de escape, e um espaço para que Ricky desenvolva sua subjetividade e, digamos, seu lado filósofo. Nessa tarefa, ele até que não se saiu tão mal, porém ele se utilizou de inúmeros clichês, como esse: "Se há uma verdade neste mundo é que o destino precisa de uma mãozinha" (pág.18). Fazendo com que sua biografia em certos momentos pareça um livro de autoajuda.

"O processo de escrever foi um turbilhão de emoções" 

Como biografia, o livro também deixa a desejar. Se você espera detalhes reveladores da vida de Ricky, é melhor comprar Vida, do baterista da banda Rolling Stones! Como o próprio autor diz "não é a minha intenção compartilhar detalhes. Acredito que todos temos o direito aum certo grau de privacidade;algumas coisas guardo para mim porque são só minhas e quero que continuem assim" (pág. 15). É, só que o Kiki (segundo ele, é um apelido usado na sua vida privada) levou essa premissa muito a sério. Tanto que detalhes (os da homossexualidade, principalmente) tão imaginados e esperados ficaram de fora. Eu diria que Ricky Martin deveria ter se aberto mais (vai desculpando qualquer ambiguidade). Pelo menos é o que esperavamos.

"O amor não tem sexo. Fiquei profundamente apaixonado por um homem, assim como fiquei apaixonado por uma mulher"

Para quem não é abelhudo, o livro pode ser excelente, já que mostra a caminhada espiritual pela qual Ricky Martin passou. Além de mostrar suas experiências como defensor dos Direitos Humanos e, claro, da paternidade.

Eu: 299 páginas. Preço médio: R$27,00