domingo, 10 de abril de 2011

A TV digital no Brasil



Às oito e meia da noite do dia 02 de dezembro de 2007, um domingo, os brasileiros mais desavisados que assistiam a alguma emissora de TV aberta foram surpreendidos com o corte na programação. De repente, surge a imagem de uma cerimônia. Não adiantou mudar de canal, todos estavam transmitindo essa cerimônia - que contava com nomes de peso da política e do empresariado de mídia.
           Após um clipe com imagens de todos os canais, surge o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciando, apesar das falhas do teleprompter, o motivo daquele cerimonial. Tratava-se do lançamento da TV Digital no Brasil, a priori em São Paulo.
A polêmica da TV Digital começou muito antes do dia 2, e não se tratava da exclusão da Gazeta e da MTV da cerimônia de lançamento. A escolha de qual formato aderir gerou certos atritos. Em 2006, saiu o anúncio oficial, importaríamos a tecnologia do Japão. Alguns especialistas contra, alegaram que a escolha deixaria o conversor muito caro, e assim o foi. O governo garantiu que eles saíram por, em média, R$ 200. Chegou às lojas por R$500.
O motivo do preço caro é a falta de escala industrial, já que os investimentos de empresas japonesas não vieram, nem nossos vizinhos aderiram ao padrão escolhido, o que não permitiria produção em grande escala, barateando os produtos aos consumidores. E mais, além de optarmos pelo parceiro de menor mercado, o Japão, descartando o padrão europeu e o americano, o Brasil ainda decidiu incorporar elementos nacionais. Isso torna a tecnologia adotada no Brasil híbrida. Só serve aqui.
Assim, o conversor brasileiro está caro porque falta escala industrial. Defensora da tecnologia européia, a coalização DVB Brasil estima que, para ser competitivo no mundo atual, um produto de alta tecnologia tem que ocupar pelo menos 15% do mercado global. Segundo a coalização, o Brasil representa 2,8% da população mundial. Mesmo que conquiste para seu padrão os países que ainda não optaram por nenhuma tecnologia, terá só 6,5% do mercado internacional.
No Piauí, a TV digital foi lançada em março de 2009, um pouco mais de um ano e meio depois da chegada em São Paulo. Segundo a própria Cidade Verde, primeira emissora piauiense a disponibilizar o sinal digital, ela foi a 2ª no nordeste, 12ª no país, além de ser a primeira afiliada do SBT a ter o sistema digital.
Passados um pouco mais de três anos, a TV digital ainda não funciona na totalidade em que o governo e as emissoras anunciaram. A Globo, maior do país, ainda está longe de ter sua programação toda em HD. A tão sonhada interatividade ainda não é possível. Fazer compras pela TV ainda parece algo futurista.

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