quinta-feira, 10 de março de 2011

Editorial: Os limites do “para fins jornalísticos”


Certo dia, estava lendo a revista Galileu, edição de novembro do ano passado, que trouxe na capa o assunto proteção online. A reportagem de Guilherme Pavarin, Felipe Pontes e Guilherme Rosa abordou os perigos de expor os detalhes da vida pessoal nos sites de relacionamento. Os repórteres da revista decidiram montar um perfil de uma pessoa anônima através dos rastros deixados na web por ela durante um mês. Achei a ideia muito boa e decidi copiar. Durante um mês, também acompanhei um anônimo em suas redes sociais: Twitter, Orkut e Formspring.

Encontrei detalhes reveladores da vida desse anônimo, um estudante de Direito de uma faculdade particular de Teresina, que não se importa em responder perguntas no mínimo embaraçosas, inclusive sobre sua homossexualidade. Não tenho qualquer formação na área de Psicologia, porém, apesar disso, não resisti e tentei traçar um perfil psicológico desse cidadão. Acho que não resisti por causa da velha mania do ser humano de rotular todos.

Deparei-me com uma alma cheia de indecisões, incertezas e problemas familiares. Aos olhos dos outros, ele tem tudo para ser uma pessoa feliz: é rico, bem vestido, deve morar bem, tem carro, faz viagens internacionais. Porém, aparenta ser feliz. Talvez precise apenas de um pouco mais de atenção, carinho, ou um amigo de verdade. Em suma, ele é um prato cheio para qualquer perfil de qualidade (ou um romance).

Material divulgado nas redes sociais não me faltou para escrever um perfil profundo, no entanto decidi não publicar-lo neste espaço. Senti que poderia está expondo demais uma pessoa em nome do “para fins jornalísticos”. O perfil seria ótimo para mostrar como alguém que dar muitos detalhes de sua vida está muito susceptível, inclusive à ação de bandidos. Como é fácil observar, essa reportagem teria uma enorme utilidade, mas às vezes é preciso renunciar um bom “furo” em nome da Ética. Posso dormir tranquilo, não expus a vida de ninguém!

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