domingo, 9 de janeiro de 2011

Papo de shopping



Para alguns, o Templo do Capitalismo, para outros, o lugar ideal para exibir os seus estilos. Perto do Natal, fui a um dos shoppings de Teresina. Em meio a tantos “coloridos” vi dois rapazes, que aparentemente seriam de classe média alta, numa conversa sobre sexualidade, mais precisamente homossexualidade. Até que um deles disparou “Tenho preconceito mesmo”. Nem consegui ouvir o que o outro respondera, tamanha a minha perplexidade. Ele disse com toda a naturalidade do mundo, “tenho preconceito mesmo”, como quem diz eu sou contra a corrupção.

Parece que o preconceito virou um ponto de vista. Ah, eu não gosto de negros e ninguém pode me condenar por isso, é a minha opinião, ora! Muitos ainda dizem: “Não tenho nada contra os gays, mas quero-os longe de mim!”. Como o preconceito se tornou algo condenável, a partir do surgimento do “politicamente correto”, ele tem que ficar bem enrustido, dentro do armário, de preferência fechado a sete chaves.

Infelizmente, não são só os cidadãos comuns, como esses do shopping, que possuem esse “ponto de vista”. Certo deputado escreveu um artigo no jornal Folha de S. Paulo defendendo a não aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que criminaliza a homofobia. Até aí tudo bem, nada mais sadio em se tratando de democracia – em que todos os cidadãos possuem o direito de expor as suas convicções. No entanto, o argumento utilizado para sustentar sua opinião é deplorável. O deputado acha que essa lei agrediria a liberdade de expressão, já que os pastores, e os rapazes do shopping, não poderiam mais demonstrar publicamente que condenam a homossexualidade. Assim, eles perderiam sua liberdade de expressão. Preconceito é preconceito, e não pode ser chamado de “opinião”.

Homossexuais simplesmente existem, assim como negros e mulheres, e sendo seres humanos, têm os mesmos direitos que os demais. Os homossexuais devem ser aceitos por toda a sociedade. Não é o caso de se condenar, já que a homoafetividade é algo natural. Para acabar com a homossexualidade só mesmo matando todos os gays. Coisa bem parecida Hitler quis fazer com eles e os não arianos. Hoje sabemos que não existem raças superiores. Assim como a heteroafetividade é tão natural como a homoafetividade, já que no reino animal é muito comum tal prática.

Se pastores querem mesmo melhorar o mundo, eles precisam pensar nos milhares de gays que se matam por não suportar a rejeição de familiares e de outras pessoas de “opinião” contrária à homoafetividade. Terapias para mudar a sexualidade são ineficientes. Por isso, o correto seria aceitar cada um do jeito que é. Não podemos esperar que o preconceito acabe de uma hora para outra. Porém, não podemos achar que a homofobia é aceitável. Ela não se trata de opinião.

Por pura hipocrisia, quase todo mundo costumar vestir branco na virada de ano, para simbolizar paz. O desejo coletivo é queremos paz. Mas como a teremos se condenamos uma pessoa apenas por ela gostar de homens ou mulheres, ou os dois? Impossível. Não conseguimos a tão sonhada paz pelo simples fato de não gostarmos de certo segmento da sociedade. Ou melhor, apenas pelo fato do vizinho dormir com um homem e não com mulher. Alguns não aceitam isso e tentam corrigir utilizando a violência. E nem precisa ser como os agressores da Paulista, é aquela mãe que deixa de falar com filho quando descobre que ele é gay. São as mesmas pessoas que usam branco no réveillon.

Nenhum comentário:

Postar um comentário