quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Não é para menos...



...que a maioria dos brasileiros tenha desprezo por algumas Ciências Humanas, como Filosofia, Antropologia, Sociologia, entre outras. Há raízes históricas e culturais para isso. Nossa população foi tardiamente alfabetizada – e muitos ainda não foram. As nossas primeiras Universidades demoraram a surgir (no Piauí foi pior ainda, é só lembrar que a UFPI tem apenas quatro décadas). No caso dos homens, o seu papel social nos primórdios da Humanidade era de caçar, e assim tinham pouco tempo para interagir com os demais, e desse modo desenvolver qualquer tipo de subjetividade. É por isso que as mulheres são mais subjetivas do que os homens, por que elas se socializavam mais com as companheiras de tribo já que tinham mais tempo para isso.

Mais recentemente, as ditas “questões objetivas” ganharam força no sistema avaliativo das escolas. O que contribui para que os alunos não criem o hábito da escrita. Ora, só desenvolvendo sua subjetividade o aluno pode gostar de Filosofia e Sociologia - disciplinas obrigatórias na grade curricular do ensino médio. Como hoje a educação para a maioria só é vista como uma forma de ascender socialmente, o ensino médio se tornou apenas uma ferramenta para passar no vestibular, e assim ingressar na Universidade. Ou seja, a maioria dos mestres não está mais preocupada em formar valores nos alunos. O que é uma pena! Aliás, quase sempre Filosofia e Sociologia são tratadas como disciplinas tapa-buraco.

Além de tudo isso, as próprias Ciências Humanas e seus estudiosos não colaboram! Ler textos de alguns filósofos é tarefa árdua. Nem todo mundo pode se aprofundar nas raízes históricas dessas ciências, o que é fundamental para entender-las. Para ler alguns ensaios você precisa ter uma enciclopédia de História a seu lado, de tantas citações que são feitas -  estas deixam o texto chato e com muitas interrupções, quando são usadas em excesso.

Como diz o filósofo, psicanalista e colunista da Folha de S. Paulo, Luiz Felipe Pondé (olha eu já fazendo uma citação!), a Academia “quer burocratas medíocres que se escondem atrás de grandes teorias para não confessar sua insegurança diante da temida falta de sentindo da vida e de sua matéria concreta, o envelhecimento”. Pondé é brilhante, justamente por querer aproximar a Filosofia do cotidiano das pessoas. Mais estudiosos deveriam fazer isso, sob pena dessas ciências continuarem sendo enfadonhas e coisas para gente louca ou fracassadas socialmente.

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